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17.09.10 Américas e Europa trocam experiências em pesquisas sobre gênero e uso do tempo
(17/09/2010 - 10:00)

 
Institutos nacionais de estatística apresentam resultados parcerias e fazem intercâmbio de metodologias
 
 
Rio de Janeiro (Brasil) - Como homens e mulheres administram o seu tempo? Em que áreas homens e mulheres concentram mais energia todos os dias? Essas são perguntas que estão sendo investigadas  por 13 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Equador, Estados Unidos, França, México, Inglaterra, Portugal, Suíça e Uruguai.
 
Durante o II Seminário Internacional sobre Pesquisas de Uso do Tempo - Aspectos Metodológicos e Experiências Internacionais, realizado nos dias 22 e 23 de setembro, no Rio de Janeiro, a analista do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Lara Gama mostrou em detalhes a pesquisa piloto de uso do tempo, aplicada em quase 13 mil domicílios durante a PNAD 2009, que levantou dados nos estados do Pará, Pernambuco, Rio Grande do Sul, São Paulo e Distrito Federal.
 
“Trabalhamos com 25% da PNAD contínua e coletamos informações em 672 municípios. O entrevistado respondia um diário com todas as atividades que tivesse feito nas 24 horas, o entrevistador retornava à residência e aplicava um questionário de percepção da pessoa sobre o seu próprio tempo”, explicou.
 

Vera Soares faz perguntas sobre as pesquisas de uso do tempo
 
A pesquisa piloto utilizou frases coloquiais para facilitar o preenchimento do diário, que também previu a coleta de informações sobre o uso da internet para apoio nas atividades ao longo das 24 horas e o recebimento de pagamento por atividade realizada. A analista destacou que a discussão atual é em relação ao melhor método de coleta: PNAD contínua ou a POF – Pesquisa de Orçamentos Familiares.
 
Bolívia: impacto no PIB e contas públicas
Com reconhecimento legal do valor do trabalho não remunerado, a Bolívia está realizando a primeira pesquisa para mensurar o seu impacto nas contas públicas e no PIB (produto interno bruto).  A metodologia da pesquisa, que conta com apoio do UNIFEM Brasil e Cone Sul através do Programa Gênero, Raça, Etnia e Pobreza, foi apresentada por María del Carmen Gemio, responsável pela Unidade de Qualidade Estatística e pelo Projeto Uso do Tempo em Domícílios do Instituto Nacional de Estatística.
 

María del Carmen Gemio - Instituto Nacional de Estatística da Bolívia
 
“Essa é uma pesquisa longa, desenvolvida durante 32 meses e contém duas provas pilotos. Na primeira pesquisa, utilizamos questionário e diário, que foram aplicados em dois dias distintos da semana. A segunda pesquisa ainda precisa de financiamento e estava prevista para ser aplicada no próximo mês de outubro até março de 2011”, contou María del Carmen Gemio. Ela comentou que a estratégia de abordagem da população precisa ser aprimorada através de um plano de comunicação e sensibilização, especialmente na área rural para aumentar o índice de resposta dos questionários e diários.
 
Uruguai: atualização pendente
Embora o contexto político do Uruguai tenha se alterado, em 2005, a partir da inclusão da perspectiva de gênero nas políticas públicas e da criação do Plano Nacional de Oportunidades, não houve avanço nos estudos populacionais. Durante a sua apresentação, a analista Núbia Pagnotta, responsável pela Área de Indicadores de Gênero do Instituto Nacional de Estatística do Uruguai, contou que a primeira e única pesquisa de gênero e uso do tempo ocorreu há sete anos.
 

Núbia Pagnotta - Instituto Nacional de Estatística
 
“Em 2003, realizamos uma pesquisa piloto sobre uso do tempo em Montevidéu e região metropolitana através de um convênio entre o instituto, UNIFEM e universidade. A pesquisa teve um custo de 55 mil dólares, sendo que o UNIFEM aportou 49,5 mil dólares, fator determinante para a realização do estudo”, pontuou Núbia.
 
França: poder de decisão e satisfação
Experiência bastante diferenciada, a França está concluindo uma pesquisa qualitativa sobre o uso do tempo e o poder de decisão em 4 mil residências. O levantamento previu a resposta de um mesmo questionário pelas duas pessoas responsáveis pela família, o que permite verificar as relações de poder, a dinâmica e os arranjos familiares existentes na população.

Lara Ricroch - Instituto Nacional de Estatística da França
 
“Os questionários são aplicados em momentos separados para que não haja interferência nas respostas de homens e mulheres. estamos verificando também a qualidade do tempo e o grau de satisfação das pessoas com as atividades ao longo do dia”, contou Lara Ricroch.
O II Seminário Internacional sobre Pesquisas de Uso do Tempo - Aspectos Metodológicos e Experiências Internacionais foi organizado pelo UNIFEM Brasil e Cone Sul-ONU Mulheres, OIT, IPEA, IBGE e Secretaria de Políticas para as Mulheres.


  Sitio publicado em 06/06/2006