Lúpus, o que é e quais são os sintomas?

Você já escutou esse nome? Provavelmente sim, afinal nos últimos anos essa doença foi bastante citada e comentada. Já esteve presente em várias séries de TV  (com destaque para “House”), novelas como Amor à Vida, e também em noticiários sobre entretenimento e celebridades, já que ao menos duas famosas foram destaque na mídia devido ao fato de terem sido diagnosticadas com o mal, como é o caso de Selena Gomez e Lady Gaga.

Selena Gomez e Lady Gaga são duas das celebridades mais recentes a revelar sofrerem com lúpus

Selena Gomez e Lady Gaga são duas das celebridades mais recentes a revelar ter lúpus

Mas você sabe realmente o que é lúpus? Caso não saiba, não se sinta culpada. De um modo geral, é uma doença pouco conhecida pela população em comparação com muitas outras, porém é sempre importante ter uma noção a respeito. Isso porque, de acordo com informações da Sociedade Brasileira de Reumatologia, é estimado que 65 mil pessoas convivam com a doença no país, em sua grande maioria mulheres.

Sendo algo que atinge predominantemente a população feminina, vale a pena entender mais sobre o assunto, não é mesmo? Nesse caso, vamos a um passo a passo para compreender melhor a situação e passar a ter mais atenção sobre nossa saúde.

O que é Lúpus?

Lúpus é uma doença inflamatória crônica e autoimune. Isso significa que a ela faz com que o organismo produza uma quantidade excessiva de anticorpos contra as próprias células do organismo. De causa desconhecida, o lúpus atinge predominantemente as mulheres, sendo que o sexo feminino é o alvo em 90% dos casos registrados, em especial na faixa etária entre 15 e 45 anos. No Brasil, estima-se que uma em cada 1.700 mulheres tenham lúpus.

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A doença não é contagiosa nem infecciosa, porém é considerada grave, em especial quando causa danos e lesões nos rins ou ao cérebro.

Até o momento ela não tem cura, mas caso diagnosticada precocemente e recebendo o tratamento recomendado, o paciente pode ter bons prognósticos de convívio com a doença e controle dos sintomas, levando uma vida normal e produtiva.

O que causa o lúpus?

A causa da doença é desconhecida, porém há pesquisas que associam o desencadeamento do lúpus com fatores genéticos, hormonais, ambientais e até mesmo medicamentos.

No caso dos hormônios, a idade em que a maior parte dos casos aparece é justificada como sendo a fase em que os hormônios estão em maior atividade no organismo feminino, em especial o estrógeno, que é um facilitador para as células que produzem anticorpos. No caso dos homens, a testosterona (hormônio masculino) é considerado um baixo produtor. No entanto, pessoas de qualquer idade podem ter lupús, embora as chances sejam menores.

Quais são os tipos de lúpus?

Ela está dividida em dois grande tipos: discóide ou cutâneo (que se manifesta somente na pele) e o erimatoso sistêmico (que atinge outros órgãos).

Erimatoso discóide / cutâneo: atinge a pele, mas não compromete os demais órgãos. É caracterizada pelo aparecimento de manchas avermelhadas nos locais que ficam mais expostos aos raios dolares, como é o caso das orelhas, maçãs do rosto, colo e nariz, no formato de asa de borboleta.

Erimatoso sistêmico: O lúpus sistêmico é aquele que atinge outros órgãos além de membranas e grandes articulações. É a forma mais grave da doença e que inspira maiores cuidados e maior atenção em seu acompanhamento.

Quais os sintomas do Lúpus?

Os sintomas do lúpus são variáveis já que nem todos manifestam a doença da mesma maneira. Seus sinais também podem variar de acordo com a fase em que ela se encontra (atividade ou remissão) e os locais atingidos (pele ou demais órgãos).

Marca sobre o nariz e a face com a forma de asas de borboleta é um dos sintomas de lúpus.

Os sintomas mais comuns, presentes em quase 80% dos casos registrados são:

  • Dores e inchaços nas articulações
  • Fotossensibilidade (aparecimento de lesões na pele quando se expõe a luz do sol ou fluorescente)
  • Lesões recorrentes na boca e no nariz
  • Vermelhidão no nariz e nas maçãs do rosto com formato de asa de borboleta
  • Febre
  • Cansaço e desânimo
  • Alterações na urina.

Outros sintomas podem surgir dependendo dos órgãos atingidos pelo lúpus, caracterizando a sua forma erimatosa sistêmica. São eles:

  • Perda de peso
  • Queda de cabelo
  • Surgimento de aftas
  • Má circulação nas mãos e nos pés.
  • Dores no peito.
  • Cefaléia, dormência, convulsões, problemas de visão e alteração de personalidade.
  • Náusea, vômito e dores no abdômen
  • Arritmia
  • Tosse com sangue ou dificuldade de respirar
  • Coloração diferente e irregular da pele.

Seja qual for o seu caso, a maior parte dos primeiros sintomas são considerados genéricos, por isso pode haver uma demora inicial para o diagnóstico correto. Este costuma ser feito através de exames com base nas manifestações clínicas obtidas nos resultados de testes laboratoriais e dos sintomas apresentados.

Normalmente exames de sangue não invasivos já podem servir para uma conclusão assim como exames básicos de urina podem ser úteis na investigação e direcionamento do tratamento.

Como funciona o tratamento para Lúpus?

Por ser uma doença crônica, o lúpus não tem cura, mas tem tratamento que é feito tanto com o uso de medicamento como por outros hábitos.

As medicações dependem do estágio no qual o paciente se encontra, se o lúpus está em atividade ou em remissão – já que pode haver a associação de medicamentos para o devido controle – e do modo com o qual ele se manifesta no organismo – ou seja, se houve orgãos afetados.

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Já no que diz respeito aos hábitos é indicado evitar exposição ao sol (usar óculos de sol, chapéu além do protetor solar mesmo em espaços fechados), cigarros e bebidas alcoolicas. Associado a isso é preciso ter uma alimentação equilibrada e rica em cálcio (para prevenção de osteoporose), praticar exercícios físicos durante os períodos de remissão e controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol também são consideradas medidas importantes já que alguns dos remédios para tratamento do lúpus podem ter o aumento desses números como efeito colateral.

Outra precaução é com o risco de contrair infecções. Como o sistema imunológico fica fragilizado, o ideal é evitar grandes aglomerações e contatos com pessoas portadores de doenças infecciosas e contagiosas. É necessário conversar com o seu reumatologista para ter mais informações a esse respeito.


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A fertilidade feminina é algo que deve ser levado em conta para mulheres com lúpus. Aquelas que que não querem engravidar devem tomar muito cuidado com a pílula anticoncepcional. Isso porque ela age nos níveis do hormônio estrógeno, que está ligada ao aparecimento da doença e assim desencadear um possível surto, portanto será preciso usar de outros métodos contraceptivos.

Para mulheres que desejam ser mães, é preciso planejamento e depende diretamente das extensões dos danos que ele pode ter provocado ao organismo. A doença deve estar controlada por pelo menos seis meses e que faça uso de medicamentos que não causem danos ao feto. É também preciso ter completa consciência dos riscos que corre já que em 80% dos casos de gravidez, o lúpus pode apresentar uma piora significativa.

Lembre-se:

O diagnóstico de uma doença considerada grave e sem cura é sempre assustador. Porém, com os avanços da tecnologia e da medicina, é possível levar uma vida normal e produtiva mantendo os sintomas do lúpus sob controle.

Para tanto você deve ter disciplina e respeitar todos os prazos e instruções do reumatologista que atende o seu caso. O tratamento para o lúpus é para a vida toda e requer cuidados constantes para evitar pioras e limitações, mas não é motivo para se deixar vencer.

Um olhar científico sobre Lúpus

Quando o sistema imunológico, aquele que produz anticorpos para combater uma infecção no nosso corpo entra em desequilíbrio, produzindo anticorpos para atacar proteínas presentes no núcleo das células, dá-se o nome da doença Lúpus. O sistema de defesa entende como uma doença a presença de certas proteínas no núcleo das células, agindo erroneamente identificando-as como prejudiciais à saúde. O sistema imune dos pacientes assim provoca inflamações nos locais afetando e gerando uma série de sintomas, por isso o lúpus eritematoso também é chamado de uma síndrome (conjunto de sintomas que caracterizam uma doença).

Para o diagnóstico, é preciso o FAN (Anticorpo Anti-nuclear) que é um exame chamado Fator Anti-nuclear que é pedido quando o paciente está com suspeita de doenças auto-imunes, como o lúpus (mas não só ele). Doenças auto-imunes são aquelas que o organismo passa a produzir anticorpos para atacar agentes erroneamente, ou seja, atacar a nós mesmos sem necessidade.

Exames para diagnosticar o lúpus

O exame de FAN consiste, em laboratório já com as amostras de sangue, conseguir identificar os anticorpos que causam essa doença por meio de uma técnica de imunofluorescência, quando se marca os anticorpos com um corante fluorescente (só ele vai fluorescer na imagem do microscópio mostrando onde ele se encontra na célula) e faz a análise depois de misturar a uma cultura de células humanas também conhecidas como Hep2. Na imagem, o anticorpo é visto contra o núcleo das células (quando ocorre no lúpus), também eles podem estar fora do núcleo no citoplasma, ou pode não haver fluorescência, quando não existe o anticorpo. Ainda tem uma série de procedimentos, pois o resultado ainda vai ser repetido após várias diluições do sangue para ver se a fluorescência ainda continua e, portanto os anticorpos. É considerado positivo aqueles resultados que ainda permaneçam com anticorpo brilhando mesmo com diluição de 1 para 40 (1:40). Assim o especialista analista do laboratório ou o médico poderá dizer se é lúpus ou não. Mas veja que ainda há várias outras análises do conjunto de sintomas que você disse ao médico, para se fazer o diagnóstico do lúpus ainda.

O que causa lúpus

Na biologia, sabemos que ocorre muito a mutação genética. Imagine um embrião que foi desenvolvido a partir de uma célula. Essa primeira célula tinha mutação genética que ficou diferente das outras, quando o espermatozoide se junta ao óvulo e ocorre várias citocineses (divisões celulares) para depois crescerem e se multiplicarem mais ainda. Como uma célula carrega a informação genética da célula a que teve origem, o lúpus pode ter origem de uma mutação genética, que carregou esse “defeito” para todas as células, gerando esses sintomas. Os sintomas do lúpus dessa origem tem mais evidência durante a infância. Mas há outras formas de a doença se dar numa pessoa já adulta, quando há efeitos da natureza sobre o corpo, danificando as estruturas celulares, como quando nos expomos muito à radiação solar, quando usamos medicamentos de forma errada, usamos antibióticos indiscriminadamente (por isso que o governo proibiu a venda sem receita na farmácia), etc.

O lúpus faz isso apresentando uma variedade de sintomas

  • Queda de cabelo – A queda de cabelo associada a lúpus acontece com a característica de fios mais finos e quebradiços. Não é só a doença, mas a medicação que é receitada também faz o cabelo cair em todo o couro cabeludo. O que faz o cabelo voltar a crescer é o controle da doença. Quando há erupções na pele também pode acontecer no couro cabeludo um tipo de queda de cabelo pior, um tipo de alopecia que a raiz do cabelo é danificada pela cicatrização e não cresce mais fios, então é bom controlar a doença o quanto antes.
  • Febre – Acontece quando a doença está em atividade, e não em remissão. Com a infecção em curso (pois pacientes com lúpus tem mais suscetibilidade a infecções) gera uma febre baixa. O médico provavelmente vai tratar com medicamentos que diminuem a inflamação do lúpus.
  • Sensibilidade à luz (fotossensibilidade) – Quando se fala em fotossensiblidade, já se pensa naquela que dá na depressão em que o paciente não consegue ver a luz do sol, e fica dentro de casa direto. No lúpus isso acontece como uma sensibilidade extrema na pele quando o paciente sai de casa. Se o período de exposição nesta fase for longo, pode até acontecer de deixar manchas no corpo. A reação pode ser fototóxica (que libera agente na pele provocando danos a longo prazo) ou fotoalérgica, quando a substância química que foi induzida pelos raios UV se altera na pele e formam outras substâncias culminando em reações alérgicas. Nesses tipos, os sintomas são característicos como erupções cutâneas, prurido (coceira), vermelhidão na pele, pele descascando, bolhas, etc.
  • Dor na boca e no nariz – Dor nestas partes podem vir por causa das reações nas mucosas tanto na parte de fora (nariz) como na parte interna (boca).
  • Fadiga (cansaço) – Já foi objeto de um estudo português, onde foi medida a fadiga em doentes de lúpus que geram além de desconforto, piorando a qualidade de vida física, e psicologicamente, piorando também as relações sociais do paciente, gerando também depressão. Uma alternativa é o paciente se esforçar em praticar atividade física para inibir o aparecimento da fadiga, pois já foi feito testes e os resultados são satisfatórios. Ficar em casa parado por causa dos efeitos dos medicamentos usados contra o lúpus pode até piorar o funcionamento do organismo, culminando na insuficiência renal que acontece muito nesses pacientes.
  • Manchas avermelhadas no rosto (principalmente nas maçãs do rosto, nariz e orelhas) – Na mucosa bucal aparece úlceras que o médico pode reconhecer como pênfigo, ou a mucosite, como reação inflamatória. Nas laterais do nariz pode ocorrer as asas de borboletas, que em inglês é conhecida como butterfly rash que a pessoa vai coçando e ela vai se descamando.
  • Inflamação do pericárdio (envolve o coração) – Pacientes com lúpus podem apresentar um quadro de pericardite que envolve dor torácica, pulso paradoxal, estase jugular, atrito pericárdico etc. que o médico pode pedir uma radiografia do tórax onde será verificada o aumenta da área cardíaca, entre outras evidencias. O que ele pode receitar é a prednisona ou metilprednisona.
  • Pleurite (inflamação na pleura) – Pacientes com lúpus que apresentam dor torácica devem ser avaliados pelo médico para ser feito os exames. Na radiografia do tórax, mostra-se um infiltrado pulmonar alveolar e pode mostrar também o derrame pleural. Só se apresenta em menos de 10% dos pacientes. Se não for tratada pode evoluir para uma doença pulmonar crônica. Pode apresentar dor torácica, dispnéia, atrito pleural. O paciente não consegue fazer uma respiração profunda que torna-se dolorosa e será facilmente detectado no exame de espirometria (assopra em um equipamento e o médico mede como está nossa inspiração e expiração), pois a respiração profunda com posterior expiração é pedida na hora do exame.
  • Perda de apetite – Esse sintoma deve ser visto em criança inibido no uso de medicamentos como corticóides que aumentam o apetite, pois a criança vai estar sempre comendo algo e o certo é que se deva fazer a limpeza dos dentes para que não ocorra cárie e doenças como gengivite e periodontite. Com a perda de apetite, se o paciente não estiver tomando os medicamentos, pode ocorrer a perda de peso.
  • Artrite – A artrite reumatóide acontece muito em mulheres, e o lúpus também acontece mais em mulheres. Apresenta mais sintomas nos membros superiores e inferiores nas articulações, como por exemplo, junção da mão com o antebraço. Acontece mais em tecidos cartilaginosos não em fibroso. Há uma variação desse tecido como, por exemplo, no crânio que é todo separado, tem um tecido mais forte que liga os ossos dele. Outras são as cartilagens como na coluna, porém nas articulações móveis, onde é mais “mole” onde há a presença de cartilagens e o líquido sinovial na bolsa, fazendo com que seja mais fácil mexer entre esses ossos. Aí é onde há mais os sintomas da doença artirte, nas articulações mais moles quando estão inflamadas.

Mais sobre o Lúpus

Radiação solar – Cuidados quando se toma o sol das 10h às 15h com frequência, pois isso é o que mais agride quem tem lúpus. Para se ter uma ideia, grande parte dos pacientes que apresentaram o primeiro sintoma na vida, observou essa ocorrência depois da exposição à radiação solar exagerada. Também quem apresenta muito esses sintomas na pele deve ter cuidado para não culminar em câncer de pele, devendo sempre usar protetor solar. O que também o paciente deve ter cuidado é com a insuficiência renal que, em alto grau, pode até fazer acontecer uma lesão cerebral (tromboembolia) que gera convulsões e ataques epiléticos. Estima-se que cerca de 75% dos pacientes com lúpus vão desenvolver alguma lesão no rim, por isso ele deve estar atento a cor e textura de sua urina e bebendo sempre muita água para seu bom funcionamento.

Alimentação natural para tratamento de lúpus

Procure adicionar à dieta, alimentos anti-inflamatórios naturais como alimentos ricos em ômega-3 como salmão, arenque, sardinha, alimentos antioxidantes como tomate, uva, alho, brócolis, e alimentos alcalinizantes como a lentilha, laranja, abacate, cebola, cenoura, etc. Aumente o consumo de alimentos ricos em Vitamina C pois ele são importante para a absorção de outras vitaminas, além do ferro. Coloque probióticos na sua dieta como por exemplo o iogurte natural. Evite alimentos enlatados, prefira os naturais colocando hortaliças na comida e aumentando a salada no prato. Não comer muito açúcar e doces.

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