Notícias do UNIFEM Brasil e Cone Sul
Edição nº 3 – Ano I - 31 de Março de 2009
Especial - Missão Inés Alberdi
Alberdi: poder às mulheres e sociedade mobilizada para o fim da violência contra as mulheres e meninas

com Agência Brasil e Alerj

“Quanto à presença de mulheres nos parlamentos nacionais, o Brasil está muito atrás, tem um percentual muito baixo. Por outro lado, é líder nas iniciativas de combater as desigualdades e a violência”, disse Inés Alberdi, diretora executiva do Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) durante o lançamento no Brasil do relatório bianual “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009”, cujo tema central é “Quem responde às mulheres? – Gênero e Responsabilização”.

Fotos: Vânia Laranjeiras

A apresentação dos dados sobre a situação das mulheres no mundo aconteceu ontem (30/03), na Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), nas presenças da representante do Unifem Brasil e Cone Sul, Ana Falú; da ministra Nilcéa Freire, da SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres); da deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ), presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher; de parlamentares; da sociedade civil e do Sistema ONU (Organização das Nações Unidas).

O Brasil é mencionado no relatório com um dos países com grandes avanços no enfrentamento à violência contra as mulheres e com instrumentos de mensuração das políticas para as mulheres: Planos Nacionais de Políticas para as Mulheres e Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres. Mas são apontados como desafios urgentes a presença e a valorização do trabalho das mulheres e a ocupação feminina nos espaços de poder e decisão.

Mulheres no poder

A ministra Nilcéa Freire ressaltou a necessidade das mulheres assumirem maior poder político no país. “O Brasil figura quase como o lanterninha da representação das mulheres no Parlamento. Nós acabamos de instituir uma comissão tripartite – Executivo, Parlamento e sociedade civil – para fazer uma revisão da legislação sobre cotas eleitorais”, informou. O objetivo do trabalho da comissão é examinar por que os 30% da cota obrigatória de candidatas não se transformam em um percentual semelhante de mulheres eleitas.

Para a deputada estadual Inês Pandeló, não basta a legislação brasileira prever cota de 30% de candidatas mulheres nas eleições. “Onde tem cotas, foi ampliada a participação feminina em espaços de poder, incluindo na política. Mas estamos vendo que não basta só ter a vaga na chapa. São precisos outros instrumentos, como a reforma política, com o financiamento público de campanha e a possibilidade de mais mulheres assumirem esse espaço”, afirmou.

O ato de lançamento, realizado no plenário da Alerj, teve as presenças da deputada federal Cida Diogo (PT-RJ), da vice-presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, deputada Alice Tamborindeguy (PSDB), e das deputadas Sula do Carmo (PMDB) e Beatriz Santos (PRB), membros da comissão, além do coordenador do Escritório da Unesco no Rio, Pedro Lessa; da coordenadora da Unicef no Rio, Luciana Ferro, e da diretora do Cedim (Conselho Estadual dos Diretos da Mulher), Cecília Soares.

Aberto Simpósio Global “Homens e Meninos pela Igualdade de Gênero”

com Agência Brasil

Começou ontem (30/03), no Rio de Janeiro, o I Simpósio Global “Homens e Meninos pela Igualdade de Gênero”. A abertura reuniu diretoras e diretores executivos do Sistema ONU, governo brasileiro e um público de 450 pessoas, entre gestores públicos, ativistas, pesquisadores e organismos internacionais das Américas, Europa, Ásia, África e Oriente Médio.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, enviou mensagem aos participantes do evento sobre a campanha “Unidos pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas” e o papel da sociedade para a igualdade de gênero. ”Nenhum país, nenhuma cultura foge dessa política. A violência contra mulheres e meninas é a forma mais odiosa de violência”, apontou Ban Ki-moon. E conclamou: “Homens de verdade não oprimem nem violam mulheres”.

Na cerimônia de abertura, Inés Alberdi, diretora executiva do Unifem, destacou: "Cremos que não é possível abordar a violência contra as mulheres sem ter os homens como partícipes [do processo de discussão]. A violência contra as mulheres é e deve ser hoje uma preocupação de todos e de todas, dos homens e das mulheres, dos meninos e das meninas".

Plenária: homens, masculinidades e violência de gênero

A igualdade entre homens e mulheres e o direito das mulheres e das meninas a ter uma vida sem violência. Esses foram alguns dos assuntos abordados Inés Alberdi durante a plenária “Homens, Masculinidades e Violência de Gênero”, que aconteceu hoje (31/3) à tarde.

O simpósio está baseado em quatro linhas estratégicas: promoção da equidade de gênero nas áreas de saúde sexual e reprodutiva; prevenção de tratamento de HIV/AIDS; paternidade; e redução da violência contra mulheres e meninas. O evento se encerra na sexta-feira (03/04) com a divulgação da Conclamação para Ação Global. O documento visa a ser um instrumento político de orientação dessa agenda nos próximos anos.

“Esse documento vai ser um instrumento muito importante, porque ele tem uma representatividade, em termos de número de países aqui representados, e a idéia é que isso possa contribuir, de alguma maneira, para a formulação de políticas públicas", disse um dos coordenadores do encontro, Marcos Nascimento, da organização não-governamental Promundo.

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