Notícias do UNIFEM Brasil e Conesul
Edição nº 5 – Ano I - 03 de Abril de 2009
Especial – Missão Inés Alberdi
Inés Alberdi encerra visita à região Brasil e Cone Sul

Terminou ontem (2/4), a missão de Inés Alberdi, diretora executiva do UNIFEM à região Brasil e Cone Sul. A visita começou no dia 26 de março, por Montevidéu (Uruguai), onde Alberdi apresentou dados do relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009”. Com a estratégia de lançamentos nacionais, o estudo bianual do UNIFEM coloca em evidência o tema “Quem responde às mulheres? Gênero e Responsabilização”.

No Brasil, o lançamento aconteceu no Rio de Janeiro, no dia 30 de março, nas presenças da representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul, Ana Falú, da ministra Nilcéa Freire, da SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), e da deputada estadual Inês Pandeló (PT-RJ), presidenta da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

Em Brasília, na quarta-feira (1/4), os dados do relatório foram apresentados para gestores do governo brasileiro, corpo diplomático, sociedade civil e Sistema ONU (Organização das Nações Unidas), na OPAS (Organização Panamericana de Saúde).


Inés Alberdi em frente ao Congresso Nacional brasileiro
Fotos: Gláucio Dettmar

O “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009” alerta para a possibilidade de descumprimento dos ODMs (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), caso não seja assegurada a igualdade entre homens e mulheres nas políticas públicas. São expostos dados sobre a situação das mulheres no mundo em áreas como mercado de trabalho e economia mundial, poder e decisão, saúde, educação, justiça e violência.


Alberdi cumprimenta representantes da Embaixada da Espanha e da AECID (Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento)

Responsabilização – tema central do relatório -, significa avaliação do desempenho e imposição de ação corretiva ou de reparação nos casos em que os resultados das políticas públicas forem inadequados ou insuficientes.  Em relação às políticas para as mulheres, esse conceito propõe que as decisões devem ser avaliadas e tomadas por mulheres e homens em pé de igualdade.

Diretora executiva do UNIFEM se reuniu com três ministros no Brasil Alberdi teve agenda intensa no Congresso Nacional brasileiro

Além do lançamento do relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009”, no Rio de Janeiro, Inés Alberdi esteve, em companhia da ministra Nilcéa Freire, da SPM, na segunda-feira passada (30/3) na inauguração do Serviço de Educação e Responsabilização de Homens Autores de Violência de Gênero, em Nova Iguaçu, e na abertura do Simpósio Global “Homens e Meninos pela Igualdade de Gênero”, no Rio de Janeiro. Nessas ocasiões, autoridades estaduais e municipais e dirigentes da ONU também comparecem aos eventos, como a diretora executiva-adjunta do UNFPA, Purnima Mane, e o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé.

Em Brasília, na quarta-feira (1/4) a agenda comum de Inés Alberdi, Ana Falú e da ministra Nilcéa Freire assegurou novo encontro na apresentação dos dados do relatório bianual do UNIFEM.

Ministra Nilcéa Freire (SPM), Ana Falú e Inés Alberdi, em Brasília

Ontem (2/4), Inés Alberdi teve audiência com o ministro da Saúde, José Temporão, em Brasília. O ministro reafirmou a importância das questões de gênero na sua gestão à frente do Ministério da Saúde e no governo brasileiro conduzido pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Temporão citou o recente caso de aborto legal realizado numa menina de nove anos, estuprada pelo padrasto em Pernambuco, como um episódio em que o governo brasileiro reiterou seu compromisso na defesa dos direitos das mulheres e meninas através de posicionamento público.

Ministro José Temporão (Saúde) e Inés Alberdi conversam sobre saúde das mulheres brasileiras

“O fim da violência contra as mulheres é uma das linhas de ação da nossa gestão. Temos muitos desafios pela frente, porque os dados apontam que somente 2,5% dos agressores de mulheres foram processados à luz da Lei Maria da Penha”, disse o ministro da Saúde à diretora executiva do UNIFEM. Temporão expôs o trabalho do Ministério da Saúde para enfrentar a feminização do HIV/AIDS, a mortalidade materna e infantil, além da garantia dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, especialmente nos casos de aborto legal e o direito da interrupção da gravidez.

Em audiência com o ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, Inés Alberdi comentou a diversidade racial do Brasil e a importância de políticas para mulheres negras e mulheres indígenas, como forma de enfrentar o racismo e o sexismo.

Inés Alberdi observa exposição do ministro Edson Santos (Igualdade Racial)

O ministro da Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade racial) ressaltou o trabalho desenvolvido em conjunto com a SPM - área do governo brasileiro que coordena as políticas para as mulheres -, e o papel do UNIFEM no processo da Conferência de Durban, cujo apoio ocorre desde 2000. “Queremos somar esforços com o UNIFEM para trabalhar com mulheres negras e indígenas”, manifestou o ministro Edson Santos.

A participação das mulheres nos espaços de poder e decisão, a garantia de políticas públicas que assegurem os direitos das mulheres e a responsabilização do poder público em relação às políticas para as mulheres. Esses foram os pontos principais abordados por Inés Alberdi no Congresso Nacional, em Brasília.

Inés Alberdi ressalta força das mulheres na reforma política no Brasil

Ontem (2/4), Alberdi teve audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer. Na ocasião, ela apresentou a linha de trabalho do UNIFEM no mundo e, a pedido das deputadas federais, abordou a necessidade de apoio da presidência às mulheres no processo da reforma política. A audiência foi acompanhada pelas deputadas federais Sandra Rosado (PSB-RN), coordenadora da Bancada Feminina, Alice Portugal (PCdoB-BA), Janete Capiberibe (PSB-AP), Maria Helena Rodrigues (PSB–RR) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC).

Por sua vez, Temer comentou a recente integração de representação feminina no Colegiado de Líderes e a criação da Procuradoria Especial da Mulher da Câmara dos Deputados, além do seu compromisso com as mulheres brasileiras. A audiência foi acompanhada pela representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul, Ana Falú, e a assessoria parlamentar da SPM.


Segunda vice-presidente do Senado Federal brasileiro apresenta sua plataforma e atuação política

Ainda na quinta-feira (2/4), Inés Alberdi foi recebida pela senadora Serys Slhessarenko (PT-MT), 2ª vice-presidente do Senado Federal, em Brasília. A diretora executiva do UNIFEM apresentou seu posicionamento em relação à paridade de homens e mulheres nos parlamentos e a validação do mínimo de 30% de mulheres. Já a senadora expôs as linhas de atuação do seu mandato e no exercício da 2ª vice-presidência no Senado Federal: direitos das mulheres, violência contra as mulheres, igualdade de gênero no mercado de trabalho, meio ambiente, cotas raciais e sociais nas universidades brasileiras e relações internacionais.

UNIFEM e Bancada Feminina: diálogo estratégico

Antes de assumir o mandato como diretora executiva do UNIFEM, Inés Alberdi foi deputada da Assembleia de Madri no período 2003-2007. Essa foi a forma como ela se apresentou para cerca de 25 deputadas federais brasileiras presentes à reunião, na Câmara dos Deputados, em Brasília. “Fui deputada em Madri. E o que vejo aqui acontece em poucos lugares do mundo. A causa das mulheres extrapola as diferenças dos partidos políticos”, salientou ela na reunião presidida pela deputada federal Sandra Rosado (PSB-RN) na quarta-feira (1/4), em Brasília.

A baixa representatividade das brasileiras no parlamento foi o tema central da reunião, que abordou as estratégias a serem adotadas pelas mulheres no processo da reforma política no Brasil. A média mundial constata a presença feminina em 18,4% nos parlamentos nacionais. No Brasil, a representação feminina beira os 9% na Câmara dos Deputados e 12% no Senado Federal. Mantido o ritmo atual, a paridade nos mandatos de mulheres e homens levaria 40 anos.

Entre as idas e vindas nas comissões, deputadas federais fazem articulação política com o UNIFEM

A deputada federal Nilmar Ruiz (DEM-TO), primeira presidente da recém-criada Procuradoria Especial da Mulher da Câmara dos Deputados. “Será um novo momento para nós, mulheres, no Parlamento brasileiro”, afirmou a deputada. As parlamentares elencaram as dificuldades da entrada das mulheres na política em razão do pouco tempo nos programas eleitorais gratuitos de rádio e televisão, a escassez de recursos para viabilização das campanhas eleitorais e as disputas partidárias, em que as mulheres são prejudicadas pela relação de gênero.

Inés Alberdi salienta pioneirismo brasileiro: “causa das mulheres extrapola as diferenças dos partidos políticos”

“Se não houver políticas públicas, como creches públicas, lavanderias comunitárias e restaurantes populares, as mulheres vão continuar a ter dificuldades de entrar na política. Sem isso, não há condições de participar de reuniões de partidos e de espaços políticos”, frisou a deputada federal Janete Pietá (PT-SP).

Para a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), mais poder para as mulheres é condição para que a sociedade avance. “Somos invisíveis, não temos o domínio da mídia eletrônica e isso nos impede de expressar nossa visão de mundo e nossas idéias para a sociedade. Nosso desafio agora é ter força na reforma política”, desabafou Erundina ao solicitar o apoio de Inés Alberdi para essa questão na audiência com o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer.

Encontro com agências da ONU no Brasil

A participação das mulheres nas esferas de decisão do Sistema ONU é um tema destacado no relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009”, através das bases quanto à distribuição dos quadros profissionais da ONU por sexo e por categoria e quadro profissionais de mulheres. Dezesseis das 31 agências atingiram a média de 40% de mulheres.


Da esquerda para a direita: Kim Bolduc, Inés Alberdi, Laís
Abramo, Ana Falú e Marie-Pierre Poirer

Na visita a Brasília, Inés Alberdi teve um encontro, na quarta-feira (1/4), com as agências da ONU no Brasil, na sala Sérgio Vieira de Mello do PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas). A ocasião reuniu mulheres líderes, como Kim Bolduc - coordenadora residente da ONU no Brasil e representante residente do PNUD -, Ana Falú (UNIFEM), Laís Abramo (OIT), Marie-Pierre Poirier (UNICEF) e Cristina Montenegro (PNUMA)

Inés Alberdi reuniu autoridades uruguaias no lançamento do relatório bianual do Unifem

A diretora executiva do UNIFEM, Inés Alberdi, apresentou o relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009” para autoridades do governo Uruguai na visita ao País, nos dias 26 e 27 de março. O ato ocorreu nas presenças da representante do UNIFEM Brasil e Cone Sul, Ana Falú, e do coordenador residente das Nações Unidas no Uruguai, Pablo Mandeville.

Inés Alberdi e Ana Falú no lançamento do relatório bianual do UNIFEM, no Uruguai

O evento aconteceu no Ministério de Relações Exteriores, reunindo a diretora do InMujeres (Instituto Nacional das Mulheres), Carmen Berandi, ministros, parlamentares, corpo diplomático, Sistema ONU e organismos da sociedade civil.

Unifem Brasil e Cone Sul

Com atuação em 65 países e 15 escritórios regionais, o UNIFEM soma 600 colaboradoras e colaboradores diretos no mundo. Sob o comando da representante Ana Falú, o UNIFEM Brasil e Cone Sul está presente na Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai. A interface com programas de outros escritórios do UNIFEM está possibilitando a relação do UNIFEM Brasil e Cone Sul na Bolívia, Equador e Guatemala.

Inés Alberdi com a equipe do UNIFEM Brasil e Cone Sul, que tem sede em Brasília

Tenha você também o relatório “Progresso das Mulheres no Mundo 2008/2009”. Faça o download da versão integral no site do UNIFEM. O documento está disponível em Português e Espanhol. Entre dados e análises mundiais e regionais, confira as mensagens de autoridades mundiais e presidentes, como Michelle Bachelet (Chile) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil).

A partir da próxima semana, Notícias do UNIFEM Brasil e Cone Sul passa a ter circulação semanal.

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