Notícias do UNIFEM Brasil e Cone Sul
Edição nº 7 – Ano I - 24 de Abril de 2009
Uruguai avalia uso do tempo de mulheres e homens no trabalho não remunerado

Disparidade entre o tempo de mulheres e homens com trabalho não remunerado pode chegar a 20 horas semanais. Mulheres de 30 a 59 anos são as que trabalham mais

Enquanto as mulheres uruguaias dedicam 36 horas semanais para o trabalho não remunerado, os homens empregam somente 16 horas. Esse é um dos dados apurados pela pesquisa nacional “Uso do tempo e trabalho não remunerado no Uruguai”, realizada com financiamento do UNIFEM Brasil e Cone Sul e do INE (Instituto Nacional de Estatística), discutidos em seminário internacional ocorrido na semana passada em Montevidéu (Uruguai).

A primeira pesquisa, divulgada em setembro de 2008, tomou por base os dados coletados em 4.100 domicílios uruguaios com 8.973 entrevistados em 2007. O levantamento foi coordenado pela Divisão Sociodemográfica do INE e será repetido em 2010. Após a pesquisa do próximo ano, o levantamento será feito de cinco em cinco anos.

A geração de indicadores sociais referente a gênero e uso do tempo já tem reflexos no Brasil e Paraguai. Em setembro de 2009, gênero e uso de tempo estará incorporado à PNAD (Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio), realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em parceria com a SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres). Os primeiros dados brasileiros devem ser divulgados em 2010. Este também será o ano em que começarão as coletas de dados no Paraguai.


Seminário discute pesquisa sobre gênero e uso do tempo no Uruguai

“O UNIFEM aposta em tornar visível o que está invisibilizado e naturalizado como a contabilização do trabalho em toda a sua classificação”, disse Ana Falú no seminário internacional da semana passada, realizado nos dias 16 e 17 de abril em Montevidéu. Ela citou a falta de compreensão do trabalho das donas-de-casa como trabalho não remunerado.

Mais afetadas: mulheres de 30 a 59 anos

De acordo com a pesquisa uruguaia, 91% das pessoas a partir de 14 anos realizam algum tipo de trabalho não remunerado, sendo 96% das mulheres e 85% dos homens. As mulheres empregam uma média semanal de 36 horas, enquanto os homens 16 horas semanais.

Mulheres de todas as idades dispendem um tempo significativo ao trabalhos não remunerado, superando sempre o tempo masculino em todas as faixas etárias. O período mais crítico, em que as mulheres têm maior dedicação ao trabalho não remunerado, corresponde à faixa de 30 a 59 anos e ultrapassa o tempo masculino em quase três vezes. É justamente quando as mulheres estão em idade produtiva e dedicadas à criação de filhos.

Perdas: bem estar e sustentabilidade da vida

Entre as conclusões do estudo, está a de que atividades para a produção de bens e serviços têm sido priorizadas em detrimento do bem estar e da sustentabilidade da vida. Essas desigualdades são geradas por fatores como raça, etnia, geração, condição socioeconômica e estado civil, que influenciam a divisão do trabalho, seja  remunerado ou não remunerado.

O evento reuniu expoentes, como a acadêmica espanhola María Angelis Duran e Sonia Montaño, coordenadora da Unidade de Gênero da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe). A pesquisa “Uso do tempo e trabalho não remunerado no Uruguai” conta também com apoio do Inmujeres (Instituto Nacional das Mulheres) e UNFPA (Fundo das Nações Unidas para Populações).

Saiba mais sobre a pesquisa uruguaia (disponível em Espanhol)

Faça o download do livro “As bases invisíveis do bem estar social. O trabalho remunerado no Uruguai", organizado pela socióloga Rosario Aguirre. (disponível em Espanhol)

Revisão de Durban: conferência aprova documento

Para Navi Pillay, texto representa fim de um longo processo. Agora, ela espera que os países que não compareceram à reunião se unam à comunidade internacional para combater o racismo

com Rádio ONU
O documento oficial da Conferência de Revisão de Durban sobre Racismo, Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, que acontece em Genebra, na Suíça, foi aprovado na terça-feira (21/4). A alta comissária para Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, disse que o texto representa o fim de um longo e polêmico processo de negociações na luta para acabar com o racismo.

Ela afirmou que o documento final da conferência não inclui qualquer referência à difamação de religiões, mas sim identifica as práticas no combate ao flagelo, reafirma a liberdade de expressão e condena a estigmatização de pessoas baseada em sua religião. Navi Pillay ainda manifestou a esperança de que os países que não participaram do evento se juntem à comunidade internacional no combate ao racismo.

Discordância

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse na segunda-feira (20/4) que o racismo e a discriminação são alguns dos maiores desafios mundiais enfrentados atualmente. Em discurso na abertura da conferência, Ban afirmou estar decepcionado com a decisão de alguns países de não participarem do fórum, como os Estados Unidos. Eles desistiram do evento após discordâncias sobre o tema do encontro.

O secretário-geral lamentou o discurso do Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, e afirmou que sua atuação dificultou ainda mais a criação de soluções para o racismo.

O UNIFEM Brasil e Cone Sul apoia o processo da Conferência de Durban desde 2000, quando se iniciou a mobilização para o encontro na África do Sul. Na Conferência de Revisão de Durban, em Genebra, o escritório participa através da presença de Maria Inês Barbosa, coordenadora do Programa de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza do Brasil, Bolívia, Paraguai e Guatemala.

Ela considera fundamental “estabelecer quem são as vítimas do racismo. Isso é determinante para que as políticas públicas e programas, como o que coordenamos, tenham condições de contribuir com a eliminação das desigualdades de gênero e raça”. A Conferência de Revisão de Durban se encerra nesta sexta-feira (24/4).

Gênero e crise econômica global é tema de curso internacional de macroeconomia, em Nova York

Serão destinadas 20 bolsas. Pessoas interessadas devem apresentar candidatura até o dia 1º de maio de 2009

O Grupo de Trabalho Internacional em Igualdade de Gênero e Macroeconomia promove, de 29 de junho a 10 de julho, o 5º Curso Internacional Intensivo. Neste ano, o tema em discussão será “Gênero e Crise Econômica Global”. A iniciativa tem apoio do UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher).

O curso será ministrado no Levy Economics Institute de Bard College, Annandale, em Nova York. Podem participar economistas vinculados a universidades, instituições de pesquisa, instituições governamentais e organizações da sociedade civil. O público será composto por 30 pessoas, sendo concedidas 20 bolsas. As candidaturas devem ser apresentadas até o dia 1º de maio de 2009.

Mais informações no site www.genderandmacro.org

UNIFEM apoia III Encontro Nacional de Mulheres Indígenas, no Paraguai

Aconteceu, de 18 a 20 de abril, o III Encontro Nacional de Mulheres Indígenas, em Luque (Paraguai), com o lema Kuña ypykuéra ojoaju omotenonde hagua hemiandu ha oñeñanduka: Mulheres Unidas para romper o silêncio. A reunião foi organizada ela Conamuri (Coordenação Nacional de Organizações de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Indígenas) e reuniu cerca de 50 mulheres no marco do projeto de fortalecimento da participação das mulheres indígenas na Conamuri.

O grupo discutiu a realidade dos povos indígenas no Paraguai e na região, tendo como referências a Constituição nacional, a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, direitos humanos e a convenção 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho). A reunião teve apoio do UNIFEM Brasil e Cone Sul através do Programa de Incorporação das Dimensões de Gênero, Raça e Etnia nos Programas de Combate à Pobreza do Brasil, Bolívia, Paraguai e Guatemala.

O ponto alto do III Encontro Nacional de Mulheres Indígenas, subscritas como originárias das etnias Mbya Guarani, Ava Guarani, Toba Qom, Ayoreo, Enxet, Enlhet Norte, Guarai Ocidental y Guarani Ñandéva, foi a formulação da Declaração Política. O documento denuncia a expulsão dos territórios, a situação de degradação de crianças, mulheres e homens nos centros urbanos, a destruição dos recursos naturais e a falta de serviços básicos nos povoados indígenas ou que levem em consideração a especificidade indígena.

O texto registra a passagem do Dia Internacional dos Povos Indígenas, em 19 de abril, como “uma data para se fazer sentir e escutar e difundir a resistência contra um sistema excludente que nos oprime há mais de 500 anos”. O documento se encerra com a relação de 12 direitos exigidos pelas mulheres indígenas do Paraguai.

Leia a íntegra da Declaração Política (disponível em Espanhol)

UNIFEM e Global Compact impulsionam debate sobre a inserção da mulher no mercado global

“Reduzir a pobreza ou atingir a igualdade de gênero não é assunto somente de governos, Nações Unidas, instituições financeiras internacionais ou organizações não governamentais. Há um parceiro fundamental: o setor privado”, considerou Inés Alberdi, diretora executiva do UNIFEM, durante a reunião “A Promoção da Mulher no Mercado Global”. Ocorrido na programação paralela do UNIFEM na 53ª CSW (Comissão sobre a Situação das Mulheres), o encontro mobilizou representantes do setor empresarial, sociedade civil, universidades, organizações sindicais, governos e Nações Unidas, no início de março deste ano.

A reunião abordou a maneira como as mulheres estão inseridas no mercado global e as práticas a serem adotadas para a igualdade de gênero, a inserção e a ascensão das mulheres no mercado de trabalho, o papel de associações públicas e privadas e o impacto da crise económica na vida das mulheres. “Não podemos construir economias prósperas nem comunidades com cultura de paz sem o aproveitamento das habilidades, da criatividade e do interesse de metade da população mundial: as mulheres”, alertou Inés Alberdi.

Princípios da Mulher: igualdade no mercado

O debate adotou como base “Os Princípios da Mulher”, documento elaborado pelo UNIFEM e a agência de investimentos Calvert em 2004. Em sete itens, o texto recomenda: tratamento justo das mulheres no trabalho com respeito aos direitos humanos; garantia de saúde, segurança e bem estar das mulheres trabalhadoras; garantia da participação das mulheres na administração e na gestão corporativa; promoção da educação, capacitação e desenvolvimento profissional das mulheres; adoção de políticas e práticas de comercialização e rede de distribuição que empoderem as mulheres; participação plena das mulheres na vida nacional; e monitoramento e divulgação dos avanços alcançados de maneira transparente.

Barbara Krumsiek, presidenta e diretora executiva da Calvert, destacou: “Como investidora em corporações com operação no mundo, a Calvert está consciente da influência e do poder econômico que os negócios têm na economia mundial. Essas empresas têm papel fundamental no empoderamento e na promoção da mulher. Até certo ponto, elas se mantêm com um recurso não utilizado no mundo”.

Para Georg Kell, director executivo do Global Compact – instituição parceira do UNIFEM no evento -, “nossa expectativa é que a reunião “A Promoção da Mulher no Mercado Global” permitirá maior compreensão da importância do empoderamento da mulher como parte essencial e integral para assegurar a sustentabilidade dos negócios a longo prazo”.

 Clique aqui para se descadastrar da lista de envio.
Unifem Brasil Tecnologia WebAdvisor