Margaridas com Lula: Mulheres do Campo Lançam Comitê de Apoio à Reeleição e Reafirmam Luta por Direitos
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| Margaridas lançam comitê de apoio à campanha de Lula Foto: Cecília Figueiredo |
A política brasileira ganhou um novo e vigoroso capítulo na mobilização das mulheres trabalhadoras rurais com o lançamento oficial do Comitê Margaridas com Lula. O evento, realizado em formato híbrido na quarta-feira, 12 de agosto de 2026, marcou não apenas o início de uma articulação eleitoral estratégica, mas também a reafirmação histórica de um movimento que há décadas transforma a realidade do campo, da floresta e das águas no Brasil. A iniciativa, promovida pela Secretaria Nacional de Mulheres Trabalhadoras Rurais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) em parceria com a Coordenação Ampliada da Marcha das Margaridas, reuniu mais de mil participantes de diversas regiões do país e contou com a presença ilustre da primeira-dama Janja Lula da Silva. Este lançamento transcende a mera adesão partidária; ele representa a consolidação de um projeto político enraizado nas demandas territoriais, na defesa da democracia e na busca incessante pelo Bem Viver para as populações rurais.
Uma Data Simbólica e a Memória Viva de Margarida Alves
O calendário escolhido para o lançamento do comitê carrega um peso histórico inestimável. O dia 12 de agosto marca os 43 anos do assassinato da liderança sindical Margarida Maria Alves, figura central cuja trajetória de luta e resistência se tornou o alicerce simbólico de todo o movimento contemporâneo das mulheres do campo brasileiro. Margarida Alves foi brutalmente assassinada em 1983, vítima da violência patronal e da impunidade que historicamente marcaram as relações de poder no meio rural brasileiro. Sua morte, contudo, não silenciou sua voz; pelo contrário, germinou a semente de uma das maiores mobilizações de mulheres trabalhadoras rurais do mundo.
A Marcha das Margaridas, que nasceu diretamente desse legado de dor e resistência, segue hoje como um fenômeno político e social de proporções continentais. Organizada e coordenada pela Contag em articulação com mais de dezesseis movimentos sociais, feministas e de mulheres, a marcha reúne uma diversidade impressionante de povos, identidades, organizações e territórios. Ao lançar o comitê de apoio à reeleição exatamente nesta data, as lideranças reforçam que a disputa eleitoral atual é indissociável da memória das que vieram antes. A preparação para a oitava edição da marcha, prevista para agosto de 2027 em Brasília, já está em curso e dialoga diretamente com o momento político presente. As Margaridas de hoje caminham sobre os passos de Margarida Alves, transformando o luto em luta organizada e a memória em programa político concreto.
Os Pilares do Comitê e a Defesa do Projeto Democrático
O Comitê Margaridas com Lula não surge como uma estrutura burocrática ou meramente propagandística. Ele se constitui como uma rede viva de mobilização territorial, desenhada para fortalecer a participação política das mulheres em seus próprios contextos locais. A expectativa da organização é manter uma articulação permanente que vá além do ciclo eleitoral, criando canais diretos entre as bases rurais e o projeto nacional de desenvolvimento. Os eixos centrais dessa mobilização são claros e refletem décadas de acúmulo político: a defesa intransigente da democracia, a garantia de direitos conquistados e ameaçados, o fortalecimento da agricultura familiar, a redução estrutural das desigualdades e a construção de um modelo de sociedade pautado pela dignidade e pelo Bem Viver.
A defesa da agricultura familiar, neste contexto, não é apenas uma pauta econômica, mas uma questão de soberania alimentar e segurança nacional. As mulheres do campo são responsáveis por parcela significativa da produção de alimentos saudáveis que chegam à mesa dos brasileiros, e seu trabalho sustenta cadeias produtivas essenciais. Quando o comitê coloca a agricultura familiar como prioridade, está defendendo um modelo de desenvolvimento sustentável que contrasta diretamente com o agronegócio predatório. A redução das desigualdades, por sua vez, passa necessariamente pelo reconhecimento do trabalho invisível das mulheres rurais, pela valorização de suas contribuições econômicas e pelo acesso equitativo a políticas públicas de crédito, assistência técnica, educação e saúde. O conceito de Bem Viver, incorporado como horizonte político, amplia a noção tradicional de desenvolvimento econômico para incluir dimensões culturais, ambientais e comunitárias, refletindo a cosmovisão dos povos do campo, da floresta e das águas.
A Voz das Lideranças e a Centralidade das Mulheres na Disputa Política
A secretária nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores, Mazé Morais, destacou durante o lançamento a importância estratégica dessa mobilização para o cenário político nacional. Segundo ela, enfrentar as violências e conquistar mais direitos são tarefas inseparáveis da defesa das mulheres do campo. Mazé Morais enfatizou que proteger as trabalhadoras rurais significa, simultaneamente, fortalecer a produção de alimentos, salvaguardar os territórios tradicionais e construir um Brasil mais justo para todas e todos. Essa fala sintetiza a compreensão de que não existe projeto nacional viável sem a inclusão efetiva das mulheres rurais como sujeitos políticos plenos.
O engajamento das Margaridas é considerado decisivo para a disputa eleitoral que se aproxima. A capilaridade da organização, presente em milhares de municípios e articulada com uma vasta rede de movimentos sociais, oferece uma infraestrutura de mobilização que nenhum partido conseguiria construir isoladamente. Mais do que votos, as mulheres do campo trazem legitimidade, enraizamento territorial e uma agenda concreta de transformação social. A participação da primeira-dama Janja Lula da Silva no evento de lançamento sinaliza o reconhecimento institucional dessa importância. A presença de Janja, ela própria com trajetória ligada aos movimentos sociais e à defesa dos direitos das mulheres, reforça a conexão entre o governo federal e as bases organizadas do campo. Esse diálogo direto entre a presidência da República e as trabalhadoras rurais é fundamental para garantir que as políticas públicas reflitam as reais necessidades dos territórios e não sejam formuladas de maneira distante ou tecnocrática.
Desafios Contemporâneos e a Resistência nos Territórios
Apesar dos avanços representados pelo lançamento do comitê e pela retomada de políticas voltadas para o campo, as mulheres rurais continuam enfrentando desafios estruturais profundos. A violência no campo permanece uma realidade cruel, manifestada tanto na forma de conflitos fundiários quanto na violência doméstica e de gênero, muitas vezes agravada pelo isolamento geográfico e pela precariedade dos serviços públicos. O acesso à justiça ainda é um obstáculo significativo, e a implementação de políticas específicas para mulheres rurais esbarra frequentemente em limitações orçamentárias e na resistência de setores conservadores.
Além disso, as mudanças climáticas impactam desproporcionalmente as mulheres do campo, que são as principais gestoras dos recursos naturais e da segurança alimentar familiar em muitas comunidades. Secas prolongadas, enchentes e alterações nos ciclos agrícolas exigem respostas políticas urgentes que integrem gênero, raça e sustentabilidade ambiental. O Comitê Margaridas com Lula assume, portanto, a responsabilidade de traduzir esses desafios em propostas concretas de governo e em pressão social organizada. A mobilização não se limita ao apoio eleitoral; ela é um mecanismo de fiscalização e de proposição contínua. As Margaridas sabem que a conquista de direitos não é um evento único, mas um processo permanente de luta, negociação e vigilância democrática.
O Futuro da Mobilização e a Construção Coletiva do Brasil
O lançamento do Comitê Margaridas com Lula em agosto de 2026 deve ser compreendido como um marco dentro de uma trajetória muito mais longa. Ele conecta o passado de resistência de Margarida Alves ao futuro que as mulheres do campo desejam construir para si e para o país. A oitava edição da Marcha das Margaridas, já em fase de preparação para 2027, servirá como próximo grande momento de convergência nacional, onde as demandas acumuladas neste ciclo eleitoral serão reavaliadas, ampliadas e projetadas para as próximas décadas.
A força das Margaridas reside precisamente nessa capacidade de articular o local e o nacional, o imediato e o estratégico, a memória e o futuro. Elas demonstram que a política feita a partir dos territórios tem uma potência transformadora que a política de gabinete jamais alcançará sozinha. Ao apoiar a reeleição de Lula, as mulheres do campo estão, acima de tudo, apostando na continuidade e no aprofundamento de um projeto que reconhece sua existência, valoriza seu trabalho e respeita seus saberes. Estão afirmando que a democracia brasileira só será plena quando cada mulher do campo, da floresta e das águas puder viver com dignidade, sem medo e com autonomia.
O comitê lançado nesta data histórica é, portanto, muito mais que uma ferramenta de campanha. É uma declaração pública de que as mulheres rurais são protagonistas indispensáveis do destino nacional. É um compromisso renovado com a luta por terra, teto, dignidade e justiça. E é, sobretudo, uma homenagem viva a Margarida Alves e a todas as mulheres que, antes dela e depois dela, dedicaram suas vidas à construção de um Brasil onde o campo seja sinônimo de vida, e não de exploração. Que o comitê cumpra seu papel de amplificar vozes, organizar esperanças e transformar demandas em realidade concreta. As Margaridas seguem marchando, e enquanto marcharem, o Brasil terá sempre um norte ético e popular a seguir. A reeleição de Lula, neste contexto, é entendida como condição necessária, mas não suficiente, para a realização plena desse projeto civilizatório que as mulheres do campo carregam em suas mãos calejadas e em seus corações indomáveis.

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